
1º de fevereiro de 1918 – 2026: 108 anos depois, a Ordem e Justiça renasce em Quixadá
Quixadá reassume, em 2026, um lugar singular na história da Maçonaria cearense e brasileira. Cento e oito anos após sua fundação original, ocorrida em 01 de fevereiro de 1918, uma das primeiras lojas maçônicas do Ceará e a primeira do Sertão Central é oficialmente soerguida, unindo memória, pesquisa histórica, continuidade familiar e legitimidade institucional.
A Augusta e Respeitável Loja Simbólica Ordem e Justiça nasceu em pleno início do século XX, período de intensas transformações políticas, sociais e econômicas. À época, a Maçonaria exercia papel decisivo na organização da vida civil do interior do Estado, difundindo valores ligados à liberdade, à instrução, à justiça e ao progresso. Em Quixadá, esses ideais encontraram terreno fértil.
Mais de um século depois, a história da Loja voltou à luz por meio da pesquisa conduzida por Geraldo Fernandes, atual primeiro Venerável Mestre da Loja soerguida, bisneto de Manoel Cândido Dantheias, fundador e primeiro Venerável Mestre da Ordem e Justiça, em 01 de fevereiro de 1918. Ao investigar a trajetória do bisavô, Geraldo redescobriu a própria Loja e, com ela, um conjunto de feitos que ajudaram a estruturar a formação econômica, política e institucional do município.

Manoel Cândido Dantheias, fundador e primeiro Venerável Mestre da Loja, esteve diretamente ligado a marcos decisivos da história local. Entre eles, destaca-se a Associação Comercial de Quixadá (ACQ), hoje ACIQ, que segue funcionando no mesmo prédio histórico de sua fundação, símbolo de permanência institucional. A ele também se vinculam iniciativas fundamentais para a modernização urbana, como a implantação da luz elétrica, do telefone e do telégrafo nacional, além de outros empreendimentos que integraram Quixadá aos circuitos modernos de comunicação e desenvolvimento.
Sua relevância política permanece registrada na Câmara Municipal de Quixadá, onde exerceu a presidência da Casa em diferentes períodos. A fotografia de Manoel Cândido Dantheias, hoje exposta na galeria institucional da Câmara, foi doada pelo próprio bisneto, Geraldo Fernandes, em gesto de preservação da memória pública e restituição histórica, transformando a lembrança familiar em patrimônio coletivo.
O legado maçônico e familiar projeta-se ainda de forma monumental no Chalé da Pedra, erguido por Fausto Cândido de Alencar, irmão de sangue e de Ordem de Manoel Cândido Dantheias, e bisavô do atual Venerável Mestre. Fundador da Ordem e Justiça em 1918 e, em 1933, de outra loja maçônica, Fausto construiu no Chalé não apenas uma edificação singular, mas um monumento simbólico da Maçonaria quixadaense. Hoje, o Chalé da Pedra é reconhecido como o símbolo máximo da Loja Ordem e Justiça, representando solidez, permanência e memória.
O processo de soerguimento da Loja teve início formal em 20 de outubro de 2025, conforme registrado na Ata da Sessão de Soerguimento. Consta no documento a presença dos seguintes irmãos:
Francisco Geraldo Fernandes de Almeida; Raimundo Holanda Amorim; José Dalgoberto Gonçalves Cavalcante; Francinaldo da Silva Dias; Joaquim Dias de Holanda; Luiz Carlos Neto; José Roberto Oliveira Silva; Theovane Maciel Teodoso; Antônio Albuquerque de Macedo; Leonardo de Almeida Monteiro; Samuel Neto Malveira Sombra; Jackson de Moura Martins; Felipe Bandeira de Medeiros; Samuel de Lima Menezes; Josimar Gondim Chava; Pedro Jardel Amaral Cavalcante; Renan Soares Tavares; Francisco Chagas Ricardo Neto.
Na mesma sessão, foi aprovada por unanimidade a continuidade do soerguimento da Loja, reafirmando sua fundação original em 01 de fevereiro de 1918. Por aclamação, foi constituída a primeira diretoria da Loja soerguida, tendo como primeiro Venerável Mestre (cargo equivalente ao de presidente) Geraldo Fernandes, acompanhado por Raimundo Holanda Amorim (1º Vigilante) e José Dalgoberto Gonçalves Cavalcante (2º Vigilante).
Diga-se de passagem que a primeira reunião de soerguimento ocorreu em um espaço profundamente carregado de memória histórica: a antiga Sede Luz, local onde, no passado, diversos membros da própria Ordem e Justiça já se reuniam. Atualmente, o prédio abriga a Academia Quixadaense de Letras, instituição cultural de referência no município, presidida por Geraldo Fernandes. O fato confere ao episódio um simbolismo raro: no mesmo espaço físico onde ideias e valores foram gestados no passado, a Ordem e Justiça retoma sua missão histórica, 108 anos depois.
O retorno da Loja contou com o apoio explícito e entusiasmado do Eminente Grão-Mestre Leonardo de Almeida Monteiro, autoridade máxima do Grande Oriente do Brasil no Estado do Ceará. O Grão-Mestre acompanhou o processo de forma favorável e reconheceu no soerguimento da Ordem e Justiça não apenas a retomada de uma oficina histórica, mas a reafirmação do papel da Maçonaria no Sertão Central.
Esse apoio institucional materializou-se por meio do Ato nº 227 – 2023/2027, de 21 de janeiro de 2026, que autorizou oficialmente o funcionamento provisório da Loja Maçônica Ordem e Justiça, no Oriente de Quixadá, conferindo plena legitimidade jurídica e administrativa ao seu retorno.
Assim, entre 01 de fevereiro de 1918 e 2026, a Ordem e Justiça reafirma sua condição de instituição de permanência histórica. Interrompida pelo tempo, mas jamais apagada da memória coletiva, a Loja retorna agora conduzida pela pesquisa, pela documentação, pela continuidade familiar e pelo compromisso com os mesmos ideais que a fizeram nascer: ordem, justiça, ética, trabalho e serviço à sociedade.
Mais do que uma refundação, o soerguimento da Ordem e Justiça representa a reconexão de Quixadá com uma de suas raízes mais profundas , um elo vivo entre passado, presente e futuro, 108 anos depois.
Por Cleumio Pinto
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É Com grande honra e elevado júbilo, manifestamos nossas mais sinceras congratulações pela soerguição da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Ordem e Justiça, jurisdicionada ao Grande Oriente do Brasil, no Oriente de Quixadá, interior do Ceará.Este momento histórico representa não apenas o renascimento administrativo e ritualístico da Oficina, mas, sobretudo, a reafirmação dos elevados princípios que norteiam a Maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A soerguição da Loja Ordem e Justiça